phelios (arc, gen & al.)

REVIEW N° 1088 DO 0LDBUTG8LD

Por Rafael “Cila” Aguiar

Arcade, Genesis

+ PlayStation4, Switch & Wii.

Phelios

Arcade Archives: Phelios (SWI/PS4)

F I C H A    T É C N I C A

Developers Namco, Hamster (PS4/SWI)

Publishers Namco (JP/EUA/EUR), Tec Toy (BR), Bandai Namco (WII), Hamster (PS4/SWI)

Estilo Shoot ‘em up > Vertical

Datas de Lançamento

ARC

1988 (JP)

GEN

20/07/90 (JP), 1990 (EUA/EUR), 1991 (BR)

WII

22/04/08 (JP)

PS4

01/02/23 (JP/OCE), 02/02/23 (EUA/EUR)

SWI

02/02/23 (EUA/EUR/JP)

NOTA (Este escore é uma média dos principais portais de games na web e revistas antigas quando for o caso, e também engloba a opinião dos gamers visitantes, além da crítica especializada; não necessariamente reflete meu ponto de vista.)

6.6

E S T E   J O G O   É   P R A . . .
(X) passar longe(X) dar uma jogadinha de leve
(   ) dar uma boa jogada(   ) jogar freneticamente
(   ) chamar a rua toda pra jogar(   ) uma incógnita
(X) um tipo específico de jogador Quem… Não se importa com a deturpação da mitologia grega e um alto nível de monotonia.Quem jogar este também poderá gostar de: Athena, o infame Plataforma da SNK para Nintendinho de 87, só por causa da semelhança no enredo mesmo! Os gamers corajosos que quiserem testar esta aberração (a gameplay deixa muito a desejar) podem conferir ainda as rendições de PS4, Nintendo Switch e PSP! Sunset Riders (para – enfim! – uma diversão A DOIS num shooter 2D de qualidade – disponível para ARC/MEGA/SNES)
FAIXA DE VIDA ÚTIL ESTIMADA

 4 a 5h

Seqüência introdutória em anime nos fliperamas, exclusivos do Oriente. Também não espere pela chance de plugar um segundo joystick se estiver experimentando Phelios no seu Mega Drive…

Como amante da mitologia grega, sempre me perguntei por que tão poucos games aproveitam esse pano de fundo tão rico, teoricamente mais fácil de trabalhar (prefabricado, digamos), com sua pletora de interessantíssimos personagens. Talvez porque deuses são imortais e onipotentes e ficaria difícil abordar o conceito de “protagonista de uma aventura que precisa evoluir paulatinamente e demonstrar alguma vulnerabilidade para angariar a simpatia do controlador-expectador”? Mas a mitologia grega também tem um cartel excepcional de semi-deuses e mortais com destinos trágicos. Enfim, se fôssemos discutir a arte helênica e os mitos num nível mais denso, seria melhor lermos a Poética de Aristóteles ao invés de uma chula resenha como esta… Então, o que temos em Phelios de Mega Drive, um dos poucos casos em que a mitologia grega é utilizada como backstory e fonte de inspiração no level design?!

ARC

Certamente que a obra não é nenhum Legend of Three Kingdoms ou God of War. Aliás, talvez não seja sequer um Hercules (2d platform mediano de PC/PS1 baseado na animação da Disney)… Mas ainda é melhor do que naves espaciais enfrentando alienígenas, o que, convenhamos, está saturado, e só seria aceitável acompanhado de uma gameplay 10/10 – no mar de shooters do Genesis, é provável que este game não se distinguisse em nenhum aspecto e sequer fosse lembrado pelo rafazardly não fosse pelo enredo pitoresco!

ARC

Eu poderia jurar que a tela da direita pertencia a River Raid!

ENREDO, OU MAIS PARA… “ENREDO”!

Phelios conta a saga que Apolo (divindade solar, associada à Razão e “n” outros elementos) enfrenta para resgatar seu AMOR ROMÂNTICO (?!?) Ártemis (deusa da caça, sua IRMÃ!) das garras de uma subdivindade de quinta categoria do panteão grego, Tifão (na verdade, não é um residente do Olimpo, mas um dos titãs primitivos, controlador dos ventos), também tradutível como Tufão, mas que não se parece com o Murilo Benício nem joga no Clube de Regatas do Flamengo…

ARC

À esquerda, o único item cavalo e divino do game – com o perdão da expressão!

Aham… (clareada no pigarro da garganta) “Tifão, que seqüestrou Ártemis…” Além de essa estória não ter respaldo em qualquer fragmento mitológico (o roteirista devia ser brasileiro, i.e., uma mula sem-cabeça!), digamos que fere em demasia o canon: Ártemis sendo guerreira por natureza, muito associada à androginia e ao lesbianismo, não seria presa fácil de nenhum deus; os deuses gregos não estão separados em categorias bem-definidas de bem e de mal (outra razão por que seria difícil usar esta mitologia para jogos numa era cristã, cof, cof…) e, embora o incesto rolasse solto entre as divindades, sendo o maior exemplo o casal Zeus-Hera, Apolo e Ártemis NUNCA estiveram ligados desta maneira, não que eu saiba… E o pior é que fizeram um depict bastante clichê de Ártemis como a frágil donzela marilynmonroeliana (toda sexualizada, de biquininho e tudo!), cujo arquétipo seria a Princesa Toadstool de Mario Bros. um pouco mais sensual e vulgar… Ok, ok… Mais duro ainda de engolir é que Apolo não é tão soberano assim face a outros deuses e criaturas menores e cavalga o Pégaso (que não é cavalgado por Apolo, mas pelo humano Belerofonte na “narrativa oficial”, outra grave transgressão!) por sete loooongos níveis (menos pela duração e mais pela falta de atrativos) atrás da passivíssima beldade. Se era para usar a mitologia, que fosse explorada adequadamente, qual é!!

ARC

SISTEMA DE JOGO

Tocando a lira adiante (e pensar que você poderia ser Orfeu atrás de sua Eurídice!, bom, nem tudo é perfeito…), esse é um jogo de tiro e… que bom que não é mais uma história sci-fi em que uma pequena nave deverá salvar o sistema solar inteiro de uma horda de naves-mães dantescas maiores que uma imagem 3:4 no seu monitor poderia representar – e toda nave-mãe, como se sabe, é tão insidiosa como a de Independence Day por algum complô dos astros –, mas bem que as bolas de “laser” ou “balas” ou “projéteis” podiam ser, sei lá, bolas de fogo cuspidas pelo Pégaso, certo?! Na verdade, seus ataques são emanações da espada (?) de Apolo, outro conceito pra lá de duvidoso… Na conversão das máquinas de rua, os famosos Arcades, para os lares, perdeu-se muito no visual – bem se vê pela intensa pixelização que é um jogo de 1ª geração do GEN – e também na diversão em potencial, uma vez que não há mais a opção para 2 jogadores simultâneos, o que acaba fazendo uma falta danada (e não Danaides, tum-dum!).

GEN

Os power-ups, em primeiro lugar, não são satisfatórios e o gamer sentirá seu tiro como fraco diante da pletora de nêmeses na tela. E armas especiais que intensificam o frenesi infelizmente têm limite de tempo e são bem raras… Outro defeito que considero um detrimento fatal para a mecânica de jogo é que Apolo só pode atirar frontalmente, deixando seus lados e a traseira vulneráveis.

GEN

Destacarei pontos altos que me soam como brisas na gameplay ou, para usar uma metáfora finalmente em contexto apropriado, “cantos de sereia” (podem seduzir os incautos, mas se o tolo for induzido a comprar o cartucho, se dará muito mal!): 1) no terceiro estágio, Apolo é assediado por uma horda de grifos que vêm da parte de baixo da tela (cuidado com o bumbum!) e perseguem nosso herói por uma série de corredores e bifurcações. Talvez se o jogo fosse uma variação de Pac-man ou Tom and Jerry obtivesse mais êxito, afinal… O bacana dessa mini-sessão de gato-e-rato é que, como você não pode atirar pelas costas, tem de levar seus perseguidores à morte ziguezagueando e tentando fazê-los colidir com as paredes; 2) algumas batalhas contra chefões valem a modorra de percorrer fases inteiras, em especial as 3 Gréias e o cão Cérbero. Outros bosses encantam mais pela estética (character design bem maléfico, impecável para o período) que pela fórmula de ataque um tanto previsível (exemplo-mor: a Medusa).

GEN

Não é príncipe virando sapo mas bate na trave (amazona alada gostosa virando harpia)!

O lance é que não há nada de errado com o primeiro nível, e isso deve desiludir muitos dos shooter fanatics, porque o nível cai muito a partir daí. É como se tivessem gastado toda a criatividade no projeto-piloto e depois mal tivessem tempo e energia para escolher fundos de tela apropriados, quem dirá obstáculos e desafios inusitados e interessantes (sendo a perseguição dos grifos a única grande exceção) para o restante da fita.

GEN

Nem posso pôr a culpa na dificuldade (que é, com o perdão da expressão, galopante) ou nos controles, que são absolutamente precisos. O negócio é o puro e simples tédio das trocas de tiros e do progresso vertical estéril.

GEN

Este é Anteus, e o prazer é todo dele!

O inferno (quarto mundo) é entediante no visual, e o quinto mundo sequer deveria ser o que é: um mundo do gelo – não era Grécia Antiga, camaradas?! Deixa a Escandinávia pra lá por ora! E na verdade esse tema é quase um recycle do próprio segundo mundo… Cila – olha eu aí! – é o chefão mais difícil, e não é o último, o que significa que seu encontro com o Tifão (embora também frustrante, i.e., difícil ATÉ DEMAIS) não soará como o clímax, como toda essa correria de Apolo não soa propriamente como uma aventura, mas como uma aporrinhação.

GEN

Em defesa da jogabilidade: não estamos diante de um one-hit-kills, então Apolo pode agüentar algum dano antes de ir para as cucuias e, literalmente, como mostra a animação, cair do cavalo; além disso, os power-ups que são resetados quando se morre não fazem tanta diferença assim, não só porque eles NÃO SÃO apelões e não ajudam tanto o jogador quanto porque geralmente estão localizados próximos aos checkpoints, que não são tão escassos, o que diminui a raiva que se está propenso a passar. Menos mal!

GEN

– Fala Tifão, deus do tifo! Andou malhando com meu pai, foi?

CONCLUSÃO

Não é um jogo horroroso, mas depois desta análise duvido que alguém se encoraje – e duvido que o mais ardoroso fã do título que já o tenha conhecido e experimentado encontre motivações para encarar os sete enfadonhos estágios de novo depois de zerar pela primeira vez. Como eu disse, se houvesse uma ferramenta multiplayer, esse problema da brevidade da vida útil do produto poderia ter sido extirpado pela raiz… Ain’t no Sunset Rider, babe!

P.S.: Leiam Homero e Hesíodo!

Lista de agradecimentos pela cessão de informações e imagens

GAMEFAQS.COM/

Overdrive

HONESTGAMERS.COM/

Jason Venter

MOBYGAMES.COM/

666gonzo666

GTramp

Katakis

versão 2 – 2020; 2025.

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